quinta-feira, 31 de maio de 2007

The WineWay


Preconceitos, é o que é. Eu a pensar que os americanos não tinham vinhos que prestassem. Eu a pensar que os vinhos da Califórnia eram uma zurrapa mal enxertada. Eu a pensar: não percebo mesmo nada de vinhos. Não vejo um boi. Ainda bem. Preconceitos neste filme, no way.


segunda-feira, 28 de maio de 2007

Ler Sabores


Aborrecimento muito sério sobre alguns sabores detectados por alguns críticos de vinhos:
granito morno, suor de cavalo, móveis antigos, madeira exótica, animal, aroma a caixa de charutos, feno cortado, textura de cetim, aroma de pedras, pólvora, toque de pau, fósforo queimado, apetrolado, galho seco, notas de talos de couve, aroma telúrico, cheiro a sacristia, couro de boa finura, couro limpo, toque de marroquinaria, etc. etc. Gosto do toque de pau. Com cheiro a sacristia, claro.

"125 vinhos", Alfredo Saramago, editora Assírio & Alvim

Alorna Chardonnay – Reserva – 2006


Hoje, apresentamos o primeiro branco a entrar na nossa santa_GARRAFEIRA.

A acompanhar um prato de peixe, com base de alho francês e courgetes, aconchegados por um puré de batata, foi um digno anfitrião para esta longa noite.

Não sendo um vinho seco, mostrou que, servido à temperatura correcta, acompanha muito bem pratos de peixe, carnes brancas, grelhadas magras, "frutos do mar" bem como saladas com molhos fortes.
Em parceria com o prato da noite, mostrou-se frutado o que lhe confere frescura, com notas suaves de madeira que lhe dão excelente amplitude na boca.

Este é sem dúvida um branco a provar.

Preço: cerca de 9 euros na adega da quinta

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Copo de vidro


PASSOU A EUFORIA. Passou e provavelmente não vai voltar. Lembro-me, lembro-me como se tivesse sido ontem. Copos redondos, quadrados, copos grandes, pequenos, copos de vidro grosso quase inquebrável, de plástico, copos cheios de uma ESPÉCIE DE VINHO que nos alimentava a EUFORIA.


HOJE, passou a euforia, passou a (eu)faria, é um tempo que passa depressa, a voar. A euforia já não mora cá em casa, visita-nos de vez em quando, e ainda bem. Agora é tempo de beber VINHO em copo de vidro, de o olhar, cheirar, provar, partilhar com todos os sentidos, esse grande e velho amigo que é o vinho.

Felizmente, HOJE, nem tudo mudou. As árvores continuam a morrer de pé e nós continuamos a beber vinho, mas agora, em COPO DE VIDRO.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Valle Pradinhos – 2003


Das terras de Trás-os-Montes, surge este vinho, surpreendente pelos seus aromas, pela sua cor uniforme, pelo seu registo a fruta madura muito bem combinada com notas químicas suaves.

Não estará, ainda, na sua melhor afinação, e é já um enorme prazer beber este vinho. Dizem os entendidos que aqui temos vinho para dez anos ou mais. Acho que vale a pena provar e deixar para guarda uma ou duas garrafas.

Preço: no Feira Nova perto de 9 euros.

(Ex)Citação


Deixa que o vinho te leve, não te deixes levar pelo vinho.

O Carteiro do Vinho


Devia ser possível enviar garrafas de vinho pelo correio. E há: coloca-se uma garrafa num invólucro fechado numa embalagem de cartão prensado reciclável com o símbolo de uma taça gravada no exterior e por baixo escrito "Frágil". Não me toquem, senão eu parto-me!

Mas devia ser possível enviar uma garrafa de vinho como se fosse uma simples carta, com selo, remetente e destino desejado de chegada. Sem rótulo para não haver preconceitos. Existiam vidrões de correio nacional e internacional com a última recolha a ser feita à primeira hora de sol, para não queimar o vinho.

Imaginem o carteiro entregar uma colheita do vosso passado a alguém que queriam dizer um olá como estás, lembras-te daquele sítio, hoje fui à praia onde passávamos férias, já sou pai, tu és o meu orgulho, parabéns!, estou triste, tenho saudades tuas, morreu, nasceu, tenho saudades tuas, amo-te, chego amanhã, adeus, perdi-te para sempre, quando é que voltas.

Todas estas palavras escritas, sentidas pelo calor da boca que se afunda até ao coração. Tudo numa garrafa de vinho. Recebida no correio, enviada por ti.